(crédito: Reprodução/Redes Sociais)

O ditado “farinha pouca meu pirão primeiro” está sendo praticado em pelo menos sete estados, neste começo de campanha de vacinação contra a covid-19. As escassas doses da CoronaVac que distribuídas, e que deveriam imunizar pessoas que fazem parte do grupo prioritário, estão sendo aplicadas em gente que não tem pruridos em furar a fila e que não pertence ao perfil que teria de ser atendido primeiramente. Os ministérios públicos estaduais e federal estão apurando oito episódios de oportunismo, sobretudo, porque estão registrados pelos próprios furadores de fila nas redes sociais.

Na Paraíba, o Ministério Público Federal (MPF) investiga se o prefeito de Pombal, o médico obstetra Abmael de Sousa Lacerda (MDB), o Dr. Verissinho, furou a fila, pois foi a primeira pessoa a tomar a vacina na cidade e não faz parte dos grupos prioritários. Ele tem 66 anos e registrou a imunização em vídeo.

Em Juazeiro do Norte (CE), o vice-prefeito Giovanni Sampaio também foi agraciado com uma dose da CoronaVac. Ele também é médico obstetra e o Ministério Público do Ceará diz que instaurou notícia de fato para apurar “suposta violação das regras de vacinação por um agente público municipal”.

O mesmo se repetiu em Jupi (PE). A secretária de Saúde, Maria Nadir Ferro, e um fotógrafo da prefeitura, conhecido como Guilherme JG, tomaram a vacina e entraram na frente do grupo prioritário. Os dois foram afastados dos seus cargos, pois o município recebeu apenas 136 doses da CoronaVac. Em Alagoas, o MP convocou o youtuber Carlinhos Maia para prestar depoimento. Ele disse que recusou uma oferta para furar fila na vacinação.

No vizinho Sergipe, na cidade de Itabi, o prefeito Júnior de Amintas (DEM), 46 anos, também se sentiu autorizado a furar a fila a pretexto de “incentivar a população a se vacinar”. Na Bahia, Reginaldo Prado (PSD), prefeito de Candiba, também se imunizou e garantiu para ele uma das 100 doses repassadas à cidade.

Em Natal, o Ministério Público do Rio Grande do Norte apura denúncias de que funcionários comissionados da prefeitura, que não fazem parte do grupo prioritário, foram imunizados. A denúncia partiu do Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Natal e aponta para servidores da Secretaria Municipal de Assistência Social.

E, no Pará, o diretor administrativo do Hospital Municipal de Castanhal, Laureno Lemos, 38, foi demitido após ser acusado de furar a fila da CoronaVac. Ele cedeu a primazia da imunização para Nivalda Pestana, 58, que trabalha há quase 20 anos na lavanderia do hospital e está na linha de frente da covid-19, mas garantiu a segunda dose a ser aplicada.