(crédito: Natalia Kolesnikova/AFP)

Sob a alegação de não depender da disponibilidade do mercado internacional, como atualmente ocorre com as vacinas que serão replicadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Instituto Butantan, a farmacêutica União Química pretende suprir esta lacuna, que vem impactando o começo da campanha de imunização contra o novo coronavírus. Responsável pela Sputnik V no Brasil, a empresa já tem produção própria em território nacional, sendo a única a fabricar o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) no país.

A União Química pretende disponibilizar as primeiras doses em fevereiro, mas, para isso, precisa regulamentar a situação da Sputnik V junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com quem realizou uma reunião ontem. Mas ainda não foi durante esse encontro que a empresa fez o pedido de uso emergencial, assim como não houve apresentação de novas documentações.

A intenção da farmacêutica é conseguir a autorização para a importação de 10 milhões de doses prontas da Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia. “O que queremos é a aprovação emergencial para trazer 10 milhões de doses prontas de lá, a fim de atender rapidamente o mercado brasileiro diante dessa falta de vacina”, afirmou o diretor da empresa Rogério Rosso.

Segundo o executivo da União Química, a importação auxiliaria no atendimento imediato à demanda brasileira, até que o fármaco fabricado em território nacional fique pronto.

Apesar de terem acordo de transferência tecnológica, o Butantan, responsável pela reprodução da CoronaVac, e a Fiocruz, que fechou parceria para a produção da vacina Oxford/AstraZeneca, ainda dependem do fornecimento do IFA — que, atualmente, está parado na China, que alega questões burocráticas e obrigou ao governo federal abrir conversações para liberá-lo.

Enquanto isso, a União Química já planeja produzir, sozinha, oito milhões de doses por mês da Sputnik V. Caso não haja a liberação para sua aplicação no Brasil, a empresa negocia a venda com países vizinhos, incluindo a Argentina, Bolívia, Venezuela e Paraguai.