“Sem colaboração, vamos ter que escolher quem vive”, diz médico da Unimed Chapecó

Em coletiva de imprensa, a Cooperativa Médica apresentou a situação da Covid-19 no hospital que também sofre com a superlotação

“Se não tivermos colaboração e fizermos a nossa parte, vamos ter que começar a escolher quem vive e quem morre. O número de óbitos vai crescer cada vez mais”, afirmou o diretor de marketing da Unimed Chapecó, Dr. Rovani Camargo, em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (25).

O colapso na saúde de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, também levou ao limite o Hospital da Unimed. Diante da grave situação, a Cooperativa Médica acionou na noite da quarta-feira (24), o Protocolo de Emergência e Desastre. Durante a coletiva, Rovani e o diretor hospitalar da Unimed, Dr. Mario Goto falaram sobre o colapso no sistema de saúde privada. 

De acordo com Rovani, a Unimed tem atualmente 93 pacientes internados, sendo 29 em UTI, 55 em enfermaria e o restante estão em observação no pronto atendimento ou em leitos de observação aguardando um leito. “Amanhecemos com 11 pacientes aguardando transferências”, disse. 

 
Goto ressaltou que a Unimed Chapecó está trabalhando constantemente para que não haja falta de insumos hospitalares, mas também não tem alta de estoque. “Isso é um risco eminente. O paciente Covid é grave e o consumo de medicamentos é grande e isso preocupa muito. Chega a ser uma questão que não é financeira, mas de matéria-prima mundial”, disse.

Rovani citou, ainda, a falta de profissionais como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, que tenham conhecimento de pacientes Covid com cuidado intensivo. Segundo ele, muitas pessoas contaminadas pelo vírus ao mesmo tempo sobrecarrega o sistema de saúde.

“Se tiver uma grande razão para essa situação é o nosso comportamento como população em geral, temos nos comportado como seres não racionais. Aglomera onde não tem que aglomerar, quando se limita a circulação as pessoas agem de forma contrária se aglomerando em mercados. É triste ver que nos comportamos como animais e precisamos de cerca para que a gente consiga seguir regras básicas de convívio”, acrescentou Rovani.

Sobre o protocolo, Goto afirmou que é para catástrofes, uma vez que ultrapassou a capacidade física e de pessoas da Cooperativa Médica. “Vai ficar acionado enquanto não tivermos condições de absorver os pacientes dentro do hospital”, disse. 

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