(crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro disse a apoiadores nesta sexta-feira (15), ao comentar a crise da saúde pública no Amazonas, que o governo federal fez a sua parte para ajudar o estado.

O sistema de saúde de Manaus entrou em colapso nos últimos dias com a disparada dos casos de Covid-19. As internações e os enterros bateram recordes, os hospitais ficaram sem oxigênio e pacientes estão sendo enviados para outros estados.

“Problemas. A gente está sempre fazendo o que tem que fazer. Problema em Manaus. Terrível, o problema em Manaus. Agora, agora, nós fizemos a nossa parte. Recursos, meios. Hoje, as Forças Armadas ‘deslocou’ para lá um hospital de campanha. O ministro da Saúde esteve lá segunda-feira e providenciou oxigênio”, afirmou o presidente na saída da residência oficial do Palácio da Alvorada.

Segundo o Ministério da Defesa, as Forças Armadas vão transportar até esta quinta-feira (14) 50 toneladas de equipamentos e materiais para a montagem de hospital de campanha em Manaus. Entre os itens estão barracas, equipamentos de ar-condicionado, geradores de energia, móveis e equipamentos hospitalares.

G1 entrou em contato com a Defesa para saber se os itens já chegaram a Manaus e aguardava uma resposta até a última atualização desta reportagem.

Na fala aos apoiadores, Bolsonaro ainda voltou a defender tratamento com remédios cuja eficácia não é confirmada pela comunidade científica.

Mourão

A jornalistas, na chegada ao Palácio do Planalto, o vice-presidente Hamilton Mourão também comentou a situação no Amazonas.

Ele disse que governo está fazendo “além do que pode”. Questionado sobre medidas como lockdown, Mourão afirmou que a “imposição de disciplina” não funciona no Brasil.

“O governo está fazendo além do que pode dentro dos meios que a gente dispõe”, disse Mourão.

Questionado se não faltou planejamento logístico, o vice-presidente declarou que não se era possível prever o colapso no sistema de saúde em Manaus. Ele citou o surgimento de uma nova cepa do vírus.

“Você não tem como prever o que ia acontecer com essa cepa que está ocorrendo em Manaus, totalmente diferente do que tinha acontecido no primeiro semestre”, argumentou.

Para o presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM), Sandro André, essa era uma “tragédia anunciada”.

“Infelizmente, nós estamos vivendo uma tragédia anunciada. O sistema Cofim/Coren, desde o início, nós sinalizamos que poderia acontecer essa crise, esse caos. Infelizmente, nós estamos vivendo e vivenciando números nunca antes visto no nosso país, e a segunda onda está muito mais devastadora do que a primeira”, afirmou.