A IMPRENSA NÃO PODE ESQUECER…

Decorridos três anos da tentativa de assassinato ao nosso companheiro da imprensa HAMILTON ALVES, acontecido nas terras dos JARUS, precisamente no dia 18 de Abril de 2018, esperei mais alguns dias, para escrever este artigo, tendo em vista observar como nossos amigos, colegas da área jornalística iriam se posicionar frente ao fato, que até hoje permanece uma interrogação, mesmo tendo naquela ocasião alcançado repercussão nacional.
Sabemos, e não é de agora que a profissão jornalística, não somente no Brasil, mas em todo o mundo tem sido constantemente atacada por governantes que não aceitam em hipótese nenhuma ter seus nomes vinculados a organizações criminosas, daí então o que vem acontecendo é que mais e mais jornalistas são presos, mais e mais jornalistas são assassinados por regimes políticos, onde a liberdade de imprensa vem sendo tolhida dia após dia, tendo em vista os regimes criminosos sentirem-se ameaçados.
Todos somos sabedores de que teremos uma hora final, de que mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra partiremos desta vida, porém não poderemos nunca deixar de repudiar os assassinatos que ocorrem contra profissionais de quaisquer áreas, assassinatos de maneira brutal, levados pelo ódio, ou pelo simples fato de determinadas autoridades, não aceitarem as críticas fundamentadas em investigações, ou até mesmo denúncias feitas pela população, contra agentes públicos, que agem fora da lei, ou mesmo proprietários de empresas, que não aceitam ver seus nomes citados, em algo que possa comprometer seus interesses.
Aqui nas terras dos Jarus, alguns crimes chamam atenção pelo não esclarecimento público dos órgãos responsáveis, os três que até aqui tiveram uma maior repercussão foram: O do atentado contra o jornalista Hamilton Alves, outro é o caso do assassinato do cabelereiro Gésio, (23/05/2010) tivemos também o assassinato do locutor Mauro Pedro-FM DO POVO) são três casos que tanto a sociedade, como mais precisamente os familiares aguardam ainda com ansiedade, todos os esclarecimentos possíveis, para que assim os responsáveis na forma da lei sejam devidamente punidos, fato até aqui ainda não concretizado.
Quanto a nós da imprensa deveríamos nos unir mais, para cobrarmos das autoridades a elucidação destes crimes, não somente o caso do jornalista, mas de todos os crimes e atentados, que ferem todos os princípios civilizatórios, ou seja o de assassinar alguém, atentar contra a vida de uma pessoa, e ainda por cima de forma cruel.
O que observamos é um verdadeiro silêncio por parte dos colegas de profissão, como se nada tivesse acontecido; da mesma forma; se posicionam aqueles que dizem representar a categoria aqui em nosso estado, que não se dão ao direito de fazer uma mínima defesa em relação aos profissionais, cobrando os devidos esclarecimentos, pois se cobramos tanto em relação a outros crimes que ocorreram, por que não cobrarmos em relação a um companheiro de imprensa?
A liberdade de imprensa é vital em um regime democrático, é um canal onde as pessoas em especial as mais simples, ainda têm acesso para mostrar sua indignação contra seus algozes, onde podem fazer suas reivindicações, e buscarem seus direitos.
Vale lembrar que as pessoas que são atingidas por comentários, por matérias não verdadeiras poderão acionar os responsáveis através da justiça, e assim fazerem prevalecer a verdade.
No ano de 2020, ‘’ 50 jornalistas foram mortos em todo o mundo em função do trabalho que desenvolviam. Destes, 34 não estavam em zona de guerra ou conflito armado.’’
O levantamento é da Organização Repórteres Sem Fronteiras(RSF)