À luz da Expressão

A mente é rápida. Mais rápida do que a velocidade da luz. A velocidade de um pensamento é maior do que a nossa capacidade de percebê-los com a consistência e consciência que deveríamos. Talvez por isso a expressão “a pressa é inimiga da perfeição”.

Devemos pretender ser perfeitos? Se, por um lado não queremos opressão vinda das expectativas alheias, por outro, é comum projetarmos as nossas expectativas nos outros e, no conjunto, o inconsciente coletivo nos impõe expectativas muito altas sobre sucesso

O resultado que aparece diante desse jogo de empurra é um criticismo exacerbado e uma moral fragilizada, com ofensas ganhando mais relevância do que o esforço para fazer melhor. Se é uma tática de defesa ou de ataque, não importa. O fato é que nos desconcentramos de nós mesmos para focar nos outros e acabamos todos perdidos. E afinal, como diminuir o alheio pode nos ajudar a crescer, se também dependemos de oportunidades e fatores externos?

Há alguma coisa positiva nessa postura já normalizada da crítica?  Talvez: atualmente se fala muito mais em temas e “minorias” alvo de preconceito. Mas essas pessoas são minorias mesmo? E o quanto essas pessoas têm realmente voz para além dos debates? Quanta coragem e luta é necessária para criar outras Malalas ou Gretas Thurberg? Essas usaram as dúvidas e desprezos que sofreram para criar cenários de superação e voz para muitas.

Mas há outro jeito, que pode e deve servir de exemplo para o presente e para o futuro: usar a palavra e o sonho para incentivar, crescer e curar. É isso que demonstrou a pesquisa realizada pelo Dr Guilherme Brockington, da Universidade Federal do ABC, em parceria com o Instituto D’Or de pesquisa e ensino: em um estudo feito com crianças hospitalizadas em UTI’s, a atividade de contação de histórias foi fator decisivo para diminuição da dor, redução de hormônios relacionados ao stress e aumento de indicadores relacionados ao bem estar, como o hormônio da ocitocina. A atividade durou cerca de meia hora e contou com voluntários especializados na arte de contar histórias.

É claro, não é novidade que a palavra cura, que traz acolhimento, e que pode melhorar tanto a consciência como o corpo, tanto quanto a alopatia convencional. Se não fosse desse modo, a psicanálise não teria seu lugar firmado com método terapêutico e necessário, ou o teatro como catarse para melhor compreensão dos diálogos da vida, mas é ainda melhor que pesquisas como essa se destaquem e nos lembre, com firmeza científica e estrutura humanizada que a palavra tem poder e precisa ser bem direcionada. Desde antes do primeiro fiat lux de entendimento, o encantamento sobre o mundo já estava disponível. Resgatá-lo com palavras é aumentar as possibilidades de vida em nós e para nós. Vamos nesse exercício?

 

Valdir Cimino é fundador da Viva e Deixe Viver, sócio diretor da Cimino Content e professor de comunicação na Fundação Armando Alvares Penteado – FAAP.

por: diariodopoder