Artigo: “Bolsonaro, Lula e a terceira via. Será que vai dar certo?”

“A eleição de 2018 se mostrou um grande baque para a velha política. Caciques foram despachados pelo eleitorado sem piedade. Então, o mínimo que se espera é que os partidos olhem para 2022 com ideias novas”

Estamos há exatos 471 dias do primeiro turno das eleições presidenciais. Até o distante 2 de outubro de 2022, existe ainda um longo trajeto até a definição de nomes que pretendem entrar na disputa contra Bolsonaro e Lula. A bola da vez é a tentativa de sete partidos — que pretendem se afastar da polarização atual — em achar um nome para a tal terceira via. A primeira reunião aparentemente deu com os burros n’água, mas em duas semanas pretendem se encontrar novamente para avançar em torno dos indicados de cada legenda.

Não vejo como dar certo, no momento atual, a escolha de tal candidato. Sem a definição do nome do PSDB, talvez o maior interessado nessa tentativa de se construir uma chapa de centro mais robusta, qualquer articulação fica prejudicada. Afinal, o mundo da política sabe que os pretendentes tucanos têm visibilidade e peso eleitoral distintos. São eles os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; o senador cearense Tasso Jeireissati; e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.

Outro ponto que conspira contra a escolha antecipada do nome é a própria distância da eleição. São 67 semanas até lá. Marqueteiros já se movimentam em torno de montagem de equipes, mas ainda não está claro qual será o grande tema que estará em pauta no ano que vem. A pandemia do novo coronavírus segue distante do fim, com aumento de casos e mortes e uma ameaçadora terceira onda. Estaremos livres da covid-19 até outubro do ano que vem? A vacinação em massa da população surtiu o efeito esperado? Em que situação estará a economia? O desemprego terá dado uma trégua? São questões fundamentais para a nação, mas que só com bola de cristal pode se chegar a um veredito.

A eleição de 2018 se mostrou um grande baque para a velha política. Caciques foram despachados pelo eleitorado sem piedade. Então, o mínimo que se espera é que os partidos olhem para 2022 com ideias novas. Mais do que um nome, faz-se necessário um projeto de nação. E, pelo visto, isso nem está no radar. Só depois da escolha do candidato da tal terceira via é que os partidos vão discutir o que querem para a economia, para a educação, para a saúde do país? Qual a chance de dar certo?

O Brasil hoje precisa mais do que uma terceira via. É necessário pensar o futuro. Assim, considero ser muito mais saudável para a nossa democracia, a existência de seis candidaturas candidaturas competitivas, por exemplo, do que apenas uma para fazer frente à polarização entre Bolsonaro e Lula. Pluralidade de ideias é muito melhor. Pode ter certeza.

por correiobraziliense